O silêncio está desaparecendo devagar. E talvez a gente só tenha percebido isso agora, quando descansar a mente começou a ficar tão difícil. Existe sempre alguma coisa acontecendo. Uma tela ligada. Uma notificação interrompendo pensamentos. Um vídeo começando automaticamente. Um áudio chegando sem pausa. Como se o mundo tivesse desaprendido completamente a ficar quieto. Até dentro de casa o silêncio começou a ficar raro. Muita gente dorme ouvindo vídeos. Acorda olhando o celular. Passa o dia inteiro cercada de estímulos. E termina a noite sem entender por que está tão cansada emocionalmente. O problema é que o excesso de barulho não ocupa apenas os ambientes. Ele ocupa a cabeça. Talvez por isso tanta gente esteja procurando experiências mais leves. Restaurantes menores. Conversas mais tranquilas. Lugares menos agressivos. Relações emocionalmente menos barulhentas. Porque o silêncio também acolhe. Ele desacelera pensamentos. Organiza emoções. Diminui a ansiedade do corpo. Permite que a pessoa volte a escutar a si mesma. Existe uma diferença enorme entre solidão e silêncio. O silêncio saudável não afasta a pessoa dela mesma. Aproxima. Talvez uma das maiores sofisticações da vida contemporânea esteja justamente nisso: encontrar pessoas, lugares e momentos onde ainda seja possível respirar sem excesso. Sem disputa. Sem pressão. Sem ruído constante. Só presença. Porque em um mundo cada vez mais barulhento, o silêncio começou a ganhar valor de luxo emocional. Locução: Dina Rachid